História

       A folha de coca (cujo consumo mesmo quando em grandes quantidades, leva a uma absorção mínima de cocaína) é usada comprovadamente há mais de 1200 anos pelos povos nativos da América do Sul. Eles a mastigam para ajudar a suportar a fome, a sede e o cansaço, sendo, ainda hoje, consumida legalmente em alguns países (como Peru e Bolívia) sob a forma de chá, onde a absorção do princípio ativo é muito baixa. Os Incas e outros povos dos Andes usaram-na certamente, permitindo-lhes trabalhar a altas altitudes, onde a rarefação do ar e o frio tornam o trabalho árduo especialmente difícil. A sua ação anorexiante (supressora da fome) lhes permitia transportar pouquíssima comida para vários dias.
       O seu uso entre os espanhóis do novo mundo espalhou-se, sendo as folhas usadas para tratar feridas, ossos partidos ou curar resfriados. A coca foi levada para a Europa em 1580.
A cocaína foi isolada das folhas de coca por Niemann em 1860, que lhe deu o nome. O seu uso espalhou-se gradualmente. Após visitas à América do Sul, cientistas italianos levaram amostras da planta para o seu país. O químico Ângelo Mariani desenvolveu, em 1863 o vinho Mariani, uma infusão alcoólica de folhas de coca (mais poderosa que as infusões de água ou chás usadas antes devido ao poder extrativo do etanol).
       A Coca-Cola seria inventada em parte como tentativa de competição dos comerciantes americanos com o vinho Mariani importado da Itália, e os seus efeitos foram sem dúvidas determinantes do poder atrativo inicial da bebida.
A cocaína tornou-se popular entre as classes altas no fim do século XIX. Entre consumidores famosos do vinho Mariani contavam-se Ulysses Grant, Sir Arthur Conan Doyle (criador do detective Sherlock Homes), Júlio Verne, Thomas Edison, o Rei William III e o Papa Leão XII, que até apareceu na publicidade do produto e Frédéric Bartholdi (francês, criador da Estátua da liberdade), que comentou que se o vinho tivesse sido inventado mais cedo teria feito a estátua mais alta (um sintoma de excesso de autoconfiança típico). 2.2.2. Popularização

Popularização:
       Em 1878, nos EUA, W.H.Bentley realçou as propriedades da cocaína como um antídoto para o vício do ópio, da morfina e do álcool. Em Viena, 1884, Sigmund Freud, o médico criador da psicanálise experimentou-a em pacientes, fascinado pelos seus efeitos psicotrópicos. Publicou inclusivamente um livro Über Coca sobre as suas experiências. Ele utilizou-a contra a depressão e conta o vício da morfina. Foi ele que a forneceu ao oftalmologista Carl Köller, que em 1884 a usou pela primeira vez enquanto anestésico local, aplicando gotas com cocaína nos olhos de pacientes antes de serem operados.
       A popularidade da cocaína ganha terreno: Em 1885 a companhia americana Park Davis vendia livremente cocaína em cigarros, pó ou liquido injetável sob o lema de "substituir a comida; tornar os covardes corajosos, os silenciosos eloqüentes e os sofredores insensíveis à dor".

Proibição:
       Apesar do entusiasmo, os efeitos negativos da cocaína acabaram por ser descobertos.
Entre 1885 e 1890, a literatura médica apresentou mais de 400 relatos de perturbações físicas e psíquicas devido ao consumo de cocaína. Já que muitos deles se referiam à pessoas que tinham administrado esta substância como antídoto para o vício da morfina, as duas drogas, apesar de possuírem efeitos muito diferentes, começaram a ser confundidas e regulamentadas, a nível internacional, do mesmo modo.
       Em 1903, a cocaína foi removida da Coca-Cola.
       Na Europa, a cocaína foi proibida após a Primeira Guerra Mundial, mas continuou a ser usada como medicamento até ter sido substituída pelas anfetaminas no final dos anos 30. Até ao início dos anos 70, o consumo manteve-se bastante baixo, altura a partir da qual a cocaína começou a ser associada à imagem de êxito social. Tal fato aumentou o consumo, que se propagou às diferentes classes sociais e teve bastante aceitação entre os consumidores de outras drogas.
       Em Portugal, a cocaína apareceu no mercado negro nos anos 80. No início era uma droga de elite, mas rapidamente o seu uso se generalizou, tornando-se um problema de saúde pública.

 
Flor da Coca.   Coca cola, ainda com cocaína.
 
Trabalho de Biologia 1° Bimestre - 83B - Cocaína e Crack - CTI / UNESP - 2007